25/10/2007

Cap 57: Recomeçar a amar (Ruan)



Olhei para o rosto de Jeni e achei, por uns segundos, que ela estivesse me desconhecendo, mas não podia ser isso. Nós nos amávamos, éramos casados e estávamos esperando a chegada do nosso filho!

_Que isso?... _ sorri e balancei a cabeça para os lados. _ Está brincando comigo, minha querida?

_Por favor, não me beije. _ ela pediu quando cheguei mais perto para lhe fazer carinho. Disse isso quase como quem olha alguém que está prestes a atacá-la.

_Ruan? _ ouvi a voz de Elisa atrás de mim. Se ela tinha algo a ver com isso, era bom mesmo que estivéssemos no hospital, porque eu ia perder a razão e esganá-la!

_O que está acontecendo aqui? _ perguntei, agora com a voz irritada.

Ela bebeu a água que trazia no copo e depois olhou para Jeni, fez carinho no rosto da filha e sorriu. Era real a cena que eu estava enxergando ou precisava ser medicado contra alucinações?

_Nós vamos conversar um pouco ali fora e depois voltamos para ficar com você, minha querida. Tudo bem? _ beijou-lhe a testa. _ Vem comigo, Ruan.

Eu continuei parado onde estava, olhando para Jeni na esperança de entender que brincadeira de mau gosto era aquela que as duas faziam comigo. Será que algum programa resolveu colocar uma câmera escondida e, por trás desta, uma platéia dava gargalhadas da pegadinha?

_Ruan? _ Elisa chamou-me mais uma vez da porta.

Eu coloquei as mãos na cintura, depois respirei fundo. Cocei a barba rala no queixo e decidi segui-la. Paramos na sala de espera.

_Eu quero uma ótima explicação para isso.

_Ruan... Você vai ter que ser forte... _ Elisa colocou a mão no meu braço.

_Não me toque! _ afastei-me eletrizado por aquele contato, tinha nojo daquela mulher. Ela supostamente envenenara Jeni contra mim. _ O que você falou para Jeni?


_Ruan, quer um pouco de água? Se acalme, as pessoas estão olhando... _ ela olhou discretamente para os lados.

_Eu não me importo que olhem! E quem é você para dizer isso? Já falou para o mundo inteiro nossa história. Não duvido que até os sultões do Oriente Médio já saibam, nem que algum escritor já tenha começado a escrever um best seller sobre o caso...

_Ruan, posso falar?!

_... _ parei e a olhei de lado, disposto a ouvir algo coerente que elucidasse aquilo.

_Ela não se lembra de nada.

_Quê?!

_Pode ser que se lembre... que se lembre...um dia. Mas, por enquanto, só se recorda de um pouco antes de ter te conhecido. Ela não sabe quem você é.

_Quem eu sou? _ ri. _ Eu sou o marido dela, eu sou o pai do filho que ela está esperando... _ comecei a enumerar, apontando para os dedos. _ ... Eu arrisquei a minha vida para salvá-la.

_Eu sei! Mas ela não lembra! Ela não lembra! _ foi enfática.

Eu senti que o mundo começava a girar e o rosto das pessoas ficaram embaçados. Precisava de ar. Caminhei para a porta do hospital.

_Sua esposa acordou?

_Como ela está?

_A criança sobreviveu?

Um batalhão de repórteres de plantão dispararam flashs sobre mim e direcionaram seus microfones, gravadores e celulares para a minha boca.

_Gente, ela está bem. _ Elisa apareceu e se incluiu no círculo da imprensa.

Aproveitei para fugir deles e pedi para a recepcionista que chamasse o médico de Jeni. Ela pegou o telefone e fez uma ligação. Depois, anunciou que ele me esperava.

_Obrigado.

Quando entrei na sala do médico, ele já percebera pela minha inquietude que eu tinha recebido a notícia.

_Ela vai levar quanto tempo para lembrar de tudo? _ era a pergunta que me martelava.

_Não posso te dar garantias. Mas tenho que lhe dizer que ela é muito sortuda.

_Sortuda? Ela perdeu o passado que tinha comigo...

_Os homens pedem demais de Deus... _ ele riu e balançou a cabeça para os lados. _... Eu não queria lhe dizer para não te tirar as esperanças, mas muitas pessoas saem do coma com seqüelas gravíssimas, sem movimentar os braços e as pernas, perdem visão, a voz, entre outras tantas conseqüências ruins. Sua esposa está com todos os reflexos físicos ótimos. Isso sim é que é um milagre. Eu, como médico, acredito na ciência, mas também sou formado de parte humana e posso dizer que foi um verdadeiro milagre. Sem contar no filho de vocês se desenvolvendo muito bem.

Engoli em seco.

_Ela vai precisar de muito carinho...

Ouvimos alguém bater na porta e o médico disse que podia entrar. Era Elisa.

_Fique à vontade. _ indicou a cadeira ao meu lado. _ Estava justamente falando para seu genro que a Jeniffer vai precisar de muita atenção e afeto.

_Claro, não faltará isso a ela! _ Elisa garantiu.

_É importante que a deixem comandar o processo de lembrança. Não forcem, nem façam perguntas demais. Respondam o que ela perguntar, mas sem pressões, isso poderia bloquear ainda mais os mecanismos de recuperação da memória.

_Faremos isso. _ ela disse e eu só conseguia ficar mudo.

_Hei, meu rapaz... _ ele bateu com a ponta da caneta na mesa para chamar minha atenção. _ Eu tenho uma mulher há quarenta anos e ainda acho que ela não me conhece completamente. _ riu. _ Se Jeni nunca mais vier a se lembrar, conquiste-a outra vez. Você não é o “Don Juan”? _ fez aquela piadinha sem graça.

Eu não ri, olhei-o longamente e não consegui dizer nada.

_Deixe ela ficar com a mãe, ao menos por esses dias.

_Na minha casa? _ perguntei.

_Há algum problema nisso? _ ele estranhou meu questionamento.

Se soubesse o que estava me pedindo, se ao menos estivesse por dentro de todo o terremoto que foi o meu passado com Elisa.

_Eu li os jornais. _ comentou, lendo meu pensamento. _ Acho que agora o que importa para os dois é lutar por Jeniffer.

_É o que nós faremos, não é Ruan? _ Elisa colocou sua mão sobre o meu ombro.

_É. _ disse aquilo com toda a força que arranquei de mim.

Ao sairmos da sala, novamente, fiquei a sós com Elisa.

_Eu sei que não gosta de mim. _ ela introduziu o assunto. _ Nem eu quero invadir a sua privacidade. Não ia me sentir bem com a sua mãe sobre o mesmo teto. Só gostaria que não me privasse de visitá-la.

_Tudo bem. Se é para o bem dela, eu aceito. Mas, gostaria de pedir que fosse no horário em que eu estivesse no trabalho.

_Como preferir. _ sorriu e encolheu os ombros.

_Eu quero vê-la, saí de lá tão bruscamente...

_Lembre-se, não force nada! _ pediu. _ Vou até a casa da minha amiga tomar um banho e comer alguma coisa.

_Certo. _ consenti com a cabeça.

Eu estava receoso de voltar a vê-la dessa vez. Não era a Jeni que estava naquela cama e sim uma mulher que me desconhecia. Isso significava que nossa história tinha sido arrancada do livro da vida bruscamente.

Olhei-a pelo vidro que nos separava. Parecia dormir.

Eu tinha que ter força. Era minha missão agora recomeçar e ensinar a Jeni me amar outra vez. Será possível conquistar duas vezes a mesma mulher?

Girei a maçaneta e o pequeno barulho do ranger das dobradiças a despertou.

_Posso entrar? _ perguntei para que ela não me olhasse com tanto medo.

Não respondeu, continuou acompanhando meus movimentos com os olhos enquanto eu pegava a cadeira para sentar ao seu lado.

_ O que se diz nessas horas? _ ri, nervoso.

_ ... _ sorriu um ensaio de sorriso.

_ É... _ cocei a testa com o polegar, procurei as melhores palavras. _ Imagino que deve ter sido estranho para você acordar casada e grávida.

_ Foi assustador. _ respondeu.

Aquilo doeu de ouvir. Tudo de maravilhoso que vivemos era como um filme de terror para ela?

_ Não liga, eu também estou bem constrangido, sabe? Você me conhece, quero dizer... _ revirei os olhos. _... você me conhecia tão bem e agora eu preciso me reapresentar. Capitão Ruan, às suas ordens. _ estendi a mão.

Ela riu e segurou minha mão. Se eu pudesse lhe dizer que sentir o toque dos seus dedos me dava vontade de agarrá-la e cobri-la de beijos...

_Capitão do quê? _ quis saber.

_Ah! Eu sou militar.

_Hum... _ ela levantou as sobrancelhas.

_Ruan... _ foi à primeira vez que me chamou pelo nome, mas com a solenidade que eu não queria. _ Eu sei que, teoricamente, nós moramos juntos... Mas, onde vou ficar?

_Como assim, meu am..., Jeni?

_Minha mãe me falou que eu não preciso forçar nada, nem ser sua esposa, que não seria justo comig...

_Ela falou isso? _ interrompi-a e franzi a testa, ultrajado.

_É. Achei estranho, porque ela deveria querer que eu ficasse perto de você. Não que eu queira isso, não me entenda mal, mas...

_Jeni, Jeni, ouça. _ fiz um sinal com a mão para me deixar falar. _ Está vendo isso aqui? _ mostrei a aliança a ela. _ É um sinal de que, um dia você, mesmo que não lembre, acreditou em mim. O que vivemos não foi só amor, foi amizade também. Não vou obrigá-la a ser o que era antes de modo algum! Seremos amigos, bons amigos.

_Eu não sei se vou voltar a amá-lo como quer e acabaria eu mesma me cobrando isso.

_Me dê uma chance de tentar?

_Tentar o quê?

_Fazer você me conhecer de novo.

_Eu não tenho outra alternativa, não é? Estou esperando um filho seu.

_Nosso. _ corrigi.

_Sinto-me como em um casamento arranjado que nunca quis e com um homem que me apresentaram no dia da cerimônia! _ ela estava mais agoniada do que eu imaginara.

_É só uma chance, se não quiser, você pode me deixar.

_Como pode me dizer uma coisa dessas?

_É o amor. E o amor faz coisas como as que eu fiz que nem imagina, melhor, nem lembra.

_Desculpe.

_Eu não quero desculpas, só uma chance. _ pedi.

_Podemos tentar. Amigos?

_Amigos. _ acariciei seus dedos. _ Você sabia que tem um batalhão de fotógrafos lá fora?

_É mesmo?

_É. _ ri. _ Vou tentar arrumar um jeito de te tirar daqui sem que te vejam.

_Por favor!

_Quem sabe a gente escape na calada da noite? _ propus.

_Isso. _ sorriu.

Era a minha linda Jeni com seu sorriso rosado e os olhos de quem me desconhecia. Lá no fundo, em algum lugar subterrâneo do seu coração, ainda estavam guardados os escritos de nossa história e eu a ajudaria achar.


Li Mendi

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9 comentários:

Li disse...

Um ótimo fim de noite a todas e um bom dia amanhã.
beijos a todas minhas queridas leitoras!

KÁKÁ disse...

li to amando o livro..tipo ele jah começou a conquistar ela..soh com esse jeito dele ..ele eh lindo..perfeito..rs...
mais eh bom q vai ser praticamente outro livro..vai começar td dinovo..kkkkkk
bjuuuuu te adoro li...

sarah disse...

è concordo com a káká!!
vai começa td d novo!!
q lindo maravilhoso!!!
ele é perfeitoooo
ele vai conkistar a sua mulher duas vezes!!!
e acaba nos conkistando inumeras vezes!!!

aninha disse...

ai meninas!!! agonia total né!!!!! tadinho deles! uma história tão linda!!!!! naõ pode acabar assim!!!!!!

meninas, capitulo novo no diário de carolina!!

www.odiariodecarolina.zip.net

bju ni vcs!!!!!!

mari disse...

Aiiiii...cada vez tenho mais raiva dessa vagaba da Elisa...
Olha oq ela falou pra Jeni.
QUE RAIVAAAAAA.....

Eles nesse estado...e ela se aproveitando pra afasta-los.
Ela é um monstro.

ODEIO A ELISA.
Mas ao mesmo tempo...
Concordo com vcs gurias...vamos iniciar um outro livro (essa parte é boa.)

Vamos lá...RUAN FOREVER.
huahuauahua

Bjkitas gurias

*LI*
tá cada dia mais empolgante

Nati disse...

Concordo com todas...Um nova história, um novo começo!!!!

Achei linda as ultimas palavras do Ruan no capítulo de hoje.
Ele é tudo de bom, né meninas??

Com dizem, o verdadeiro homem não é aquele que conquista várias mulheres, mas o que conquista a mesma mulher várias vezes... E o Ruan literalmente terá que fazer isso...rs

Tá tudo perfeito, Li!!!!

Beijos a todas =**

Nathália disse...

Ah, eu diria pro Ruan mostrar os cadernos dela, quem sabe relendo as próprias anotações a Jeni não lembre com mais facilidade e quando ela lembrar vai estar apaixonada por ele pela terceira vez!!

E nós vamos linchar a Elisa!!!

Bjkss

Lívia disse...

Ahhh, dá até um aperto no coração... mas ao mesmo tempo é o que todas estão falando aí em cima.. um novo livro, uma nova história com a mesma essência: o amor! ;)

Li, tá deeemais isso aqui.. e nossa papel, suas leitoras, é ler e ficar muuuuito agoniada! hihihih....

Grande beijo e bom final de semana!!
;***** pra todas.

Lucy disse...

Aiêêêêêêêêê!!!!!!!!!
Gente, isso vai ser mto difícil!!! Poutz! Ela deve estar totalmente sem chão! É muita informação pra cabecinha dela!!!

Aiaiaiaiai!!!
E dói em mim ouvir ela falar essas coisas pra ele... essa indiferença... poutz!

Vou logo pro próximo capítulo!!! Não agüento essa enxurrada de sentimentos!!! \o/