25/10/2007

Cap 56: Enquanto você dormia (Jeni)

Nuvens brancas. Paz. Sensação de ausência física. Silêncio e calmaria. A alma era apenas um estado de espírito sem ação material nenhuma que a revestisse.

Aos poucos, senti o levantar do meu diafragma e o ar enchendo os pulmões como se eu nascesse outra vez. Minhas pálpebras tremeram e um facho estreito de luz horizontal apareceu, depois, se ampliou e eu abri completamente os olhos.

_Minha filha! Ela acordou! _ ouvi uma voz ao meu lado.

Fechei novamente os olhos, sentindo que a luz me irritava as vistas.

_Enfermeira, enfermeira, ela acordou!

Abri as pálpebras com esforço e vi um rosto acima do meu.

_Filha, você pode nos ouvir?

_Posso... _ respondi, sentindo a voz sair pela primeira vez baixa e rouca da minha boca.

_É um milagre!

Meus dedos foram apertados por uma mão fria. Estava ainda muito fraca, como se eu fosse um corpo em câmera lenta, movendo-se em slow motion.

_Jeniffer... _ ouvi uma voz masculina. _Está nos ouvindo bem? Consegue falar?

Olhei-o. Agora conseguia distinguir mais claramente os detalhes da imagem antes embaçada e esfumaçada. Era um homem de jaleco branco e camisa azul por dentro. Tinha o cabelo grisalho caindo na testa. Sorriu.

_Oi..._ respondi.

_Estamos felizes de ter você aqui de volta! Sua mãe está ao seu lado.

Virei meu rosto para ela e tomei consciência de sua presença.

_O que faz aqui? _ perguntei, franzindo minha testa e sentindo a pele do meu rosto esticar com o movimento.

Ela tinha ido embora de casa. Por que voltara agora?

_Eu vim ficar ao seu lado, minha querida. _ sorriu e acariciou o meu cabelo, enquanto sua mão não se soltava da minha.

_Por que eu estou aqui...?

Ela olhou-me por alguns segundos, como quem não entende a pergunta e depois procurou os olhos do doutor do outro lado da cama para pedir ajuda.

_Jeniffer, qual a última coisa de que você lembra? _ o homem perguntou-me.

_Não sei... _ fechei os olhos, aquele esforço me deixava ainda mais cansada.

_Tente pensar em uma imagem, qualquer coisa. _ pediu ele.

_Eu estou em casa e meu padrasto saiu para trabalhar como sempre... _ respondi, lentamente.

_Claro. _ ele aceitou aquelas poucas imagens como respostas. _ Não precisa forçar, querida, aos poucos tudo vai voltar à sua mente.

_Mas o que aconteceu comigo para eu estar no hospital? _ perguntei, pois queria uma resposta para meu estado.

_Você se lembra do Ruan? _ minha mãe tentou ajudar.

_Não... Quem é Ruan? _fiz uma careta. _ Por que todo esse suspense?

_Jeniffer, você vai ter todas as explicações que quiser, mas só quando estiver mais forte para lidar com as situações. _ o médico me garantiu. _ Agora eu vou fazer alguns testes com você e quero que me responda o que sente.

_ ... _ não disse nada de volta. Estava terrivelmente confusa, como se minha cabeça fosse uma caixa com cacos de vidros que estivessem sendo chacoalhados.

_Você sente o quê? _ perguntou-me.

_Que está fazendo cócegas no meu pé. _ respondi com um sorriso. _ Apertando o meu dedão... Agora, o dedo mindinho.

_Que maravilha! _ ele vibrou em comemoração.

_Consegue levantar o seu braço? _ pediu.

_Sim... _ levantei-o, mas estava fraca para sustentá-lo no ar por muito tempo.

_Ótimo! _ ele sorriu e fez anotações na sua prancheta. _ Eu vou falar em particular com a sua mãe e depois ela ficará com você.

Eles se afastaram e eu ainda me senti sonolenta, com a cabeça pesada. Vi de canto de olho ambos conversando do outro lado do vidro que separava o quarto do corredor. Vez por outra, minha mãe olhava para mim e depois para o médico. Por que eles tinham um semblante de gravidade?

Minha mãe fechou a porta do quarto atrás de si sorrindo e puxou um banco para sentar-se ao meu lado.

_Mãe, você voltou?

_Voltei quando soube que você estava assim...

_E o meu padrasto, cadê? Ele sabe que estou aqui?

_Há muitas coisas que aconteceram enquanto você dormia.

_Vocês brigaram outra vez?

_Podemos falar só de você?

_É o que mais quero. Quanto tempo estou dormindo?

_Na prática, três semanas.

_Hum... três semanas._ repeti.

_Em teoria, um ano e meio. _ acrescentou ela, meneando a cabeça para o lado.

_Um ano e meio! _ senti um estado de pânico.

_Está tudo bem... _ ela apertou minha mão com força e a beijou.

Olhei para os meus dedos da mão esquerda e vi uma aliança.

_O que é isso? O que aconteceu nessas três semanas? Eu casei?

_Casou.

_Quê? Como? Eu ainda estou no colégio!

_Não, você já está na faculdade. _ ela corrigiu.

_Ai, meu Deus, eu não lembro de nada... _ senti vontade de chorar.

_Hei, hei, meu amor, está tudo bem, a mamãe está contigo. _ ela me abraçou e eu fiquei com as mãos no ar. Ela tinha voltado depois de tantos anos e eu nem conseguia digerir a situação ainda. Ao mesmo tempo, era a única pessoa de quem lembrava claramente e me sentia segura por isso. Deixei aos poucos minhas mãos repousarem em suas costas. _ Você vai lembrar de tudo, mas só aos poucos.

_Então, eu não lembro o que aconteceu de um ano e meio para cá?

_É. _ respondeu.

_E o que foi que se passou nesse tempo?

_Você se casou e... está grávida.

_Ãnh? O quê? _ quase gritei e senti meu coração acelerar. _ Não pode ser!

_Calma, querida, você vai ficar bem!

_Não, não, não posso estar grávida! _ olhei para minha barriga e vi uma pequena elevação no lençol. _ Nãããããão!

Aquilo não era uma doença que iria passar! Era uma criança dentro de mim e me assustava. Eu me sentia no corpo de outra pessoa, vivendo uma vida que não era minha.

_O seu marido é legal. Já pedi para avisarem que você acordou.

_Eu não quero ver. Eu não quero filho. Eu não...

Ouvimos um bip do aparelho ao meu lado e dois enfermeiros entraram no quarto às pressas.

_O que vocês fizeram comigo?! Por que estão brincando assim? Isso não se faz...

Minha mãe levou a mão à boca para não chorar e se afastou, dando passagem aos homens vestidos de branco. O médico voltou a entrar no quarto, olhou para minha mãe em repreensão e depois se inclinou sobre mim.

_ Está tudo bem, querida, tudo bem. Você vai se sentir sonolenta e vai relaxar, ok?

O enfermeiro voltou com uma vasilha de metal prateada e tirou de dentro uma seringa. Injetou-a no fio preso no meu pulso.

Novamente, a sonolência aumentou e eu relaxei. Podia ouvir e sentir tudo ao meu redor, mas meu corpo ficou sem receber ordens do meu cérebro. Respirei profundamente. Fiquei neste estado por uns quinze minutos. Depois, vi minha mãe, mais uma vez, quieta ao meu lado.

Eu não poderia estar grávida ou casada se nem ao menos tinha me apaixonado de verdade por ninguém. Era uma situação completamente ilógica e sem sentido.

Reclamei de dores nas costas e eles me colocaram sentada. Repousei as mãos sobre a cama e tentei não olhar para a minha barriga. Afastei o pensamento de que estivesse carregando uma criança no ventre.

Vi um homem atrás do vidro do quarto chegar. Ele tinha o cabelo raspado e era bem forte. Seus músculos apareciam na camiseta sem mangas. Vestia uma calça jeans preta. Abriu a porta e caminhou na minha direção.

Ele deve ser o meu marido! Seria o tal Ruan de quem minha mãe perguntara? Foi a conclusão mais rápida a que cheguei quando ele me chamou de seu amor.

Aquilo me deixou assustada. Não o conhecia, como poderia querer me beijar! Afastei meu rosto, queria correr de medo.

_Quem é você?


Li Mendi

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Quer receber um comunicado a cada capítulo publicado? Deixe seu e-mail nos comentários e o pedido.
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12 comentários:

Li disse...

Olá, minhas leitoras queridas!
Querem receber um comunicado por e-mail a cada capítulo publicado?
Então, deixem o endereço aqui no corpo do comentário com o pedido.

Beijinhos da Li

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A Jeni pelo visto está falando sério, não lembra de nada.
Como Ruan vai receber essa notícia?
Vamos ver no próximo capítulo.
E a mãe dela aproveitou beeeem a situação para "consertar" o afastamento do passado.

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:) Amooo vcs!!! :)

Li Mendi

Deisinha Rocha disse...

tadinha da Jeni, ta perdidinha... tadinho do RUan...
aih, God, ela não se lembra da fase mais importante da vida dela...

Li... q bagunça q vc fez...
Li... vc me surpreende...

é, a Jenizinha não tava brincando...

e a Elisa, hein... oportunista...

aih, agora eu qro letrinhas azuis o mais rápido possível... sim, eu kero...

bjOo ni v6 mininas... e um bem grandaum ni vc, Li....

Ana Carolina disse...

Ahh.que coisa...quero ela de volta com a memória dela o mais rápido possível...ela não lembra nada do ruan, nem que ele a salvou, nem que ela foi morar com ele, nem que eles se apaixonaram, se casaram, que ela está grávida...e coitada da criança no ventre dela...passou de muito requerida a praticamente rejeitada...tadinha...Li, faz a jeni recuperar a memória...

Laine disse...

Excelente Li!!!
Tomara que a Elisa não se aproveite para virar a Jeni contra o Ruan!!
;*

Lívia disse...

Poxa, ainda tinha esperança que era brincadeira dela... mas pelo visto aquele tumulto todo deixou sequelas.. esperamos que ela retorne o mais breve possível.. e que o Ruan segure firme como mais uma prova de amor!

Vamos esperar o próximo cap agora, com o coração na goela já hehe..

beijinhoooos Li! ;**
e beijinho pra vc Deisinhaa!

Li disse...

Beijo ni vcs todas rs.
Pois é...
Agora quero ver como a estória vai ficar... rs
A cara do Ruan pago para ver qnd souber o q tá acontecendo.
Bjs e até!

Nathália disse...

Tadinha dela, esquecer justo a parte mais importante da vida, hehe, tb espero que a falsa da Elisa não coloque um contra o outro!! Vamos lá Ruan, muita dedicação pra conquistar ela denovo.

Bjks

aninha disse...

ai meu Deus!!!! ela não se lembra do Ruan!!!! coitado!!!! o que vai acontecer com eles ?????

Deisinha Rocha disse...

Li... como vc ta malvada...
pagando pra ver a cara de despero do Ruan...

juro q nem vou me surpreender se a Elisa colocar a Jeni contra o Ruan... do jeito q a sirigaita é...

rsrs


é, é hora de café Lutitta... rsrs....


bjOo grandaum pra vc tbm, Líviahhhh....

e ni vc, Li... claro...

mari disse...

Aiiiii q coisa horrível.
Imaginem oq o Ruan vai sentir sendo rejeitado por ela...
E ela tadinha...sem saber de nada, nem do bb deles...q eles tanto amam.
Coitadinhos.

E essa Elisa hein??? mas q vagaba...ela não tá nem aí pra ninguém...só pensa em si. É muito sem noção mesmo...q raiva dessa criatura.

Bjkitas mil em todas vcs

**Li**
Eu quero receber os emails sim...e tb quero o mapa turístico da Jeni...huahauhauhau
marilhenriques@hotmail.com
Pode add no msn tb...assim tenho mais dicas da Cidade Maravilhosa.

Bjkitas.

sarah disse...

Tadinhooooo
coitado do Ruan
q mãe oportunista heim!!!
ah deixa o Ruan como é um fofo se for o c aso ele conseguirá conkistar a Jeni novamente!!
ou tomara q ela consiga se lembrar!!!
ah Li não demora mt não p/ colokar proximo cap!
bjsss

Lucy disse...

Poutz!!! Que dor!!!

O olhar indiferente daquela pessoa que amamos é a pior dor que se pode sentir (nesse âmbito de relacionamentos amorosos). Caraca, Ruan!!! Você tem q ser forte!!! \o/