09/10/2007

Cap 41: Ou para sempre ou nunca mais (Ruan)

Levantei-me da cama. Meu sono não tinha me descansado em nada. Sentei-me e senti o chão frio sob a sola dos meus pés descalços. Passei a mão no meu cabelo raspado à máquina zero e enchi os pulmões do ar úmido da manhã. Caminhei até o banheiro e joguei água no rosto com a ajuda das duas mãos. Podia sentir dali o cheiro do café de Jeni, enquanto escovava meus dentes.

_ Obrigado. _ disse-lhe, quando passou por mim na cozinha como quem quisesse fugir da minha presença. Ela não tinha obrigação de fazer meu café àquela hora da manhã e, por isso, eu lhe agradecia.

Ela voltou para o seu quarto. Não tinha mais aulas e podia dormir até tarde, estava de férias, apenas esperando o resultado do vestibular.

O trabalho era o mesmo de sempre, mas eu não estava tão empolgado quanto nos últimos meses. A minha situação estremecida com Jeni conseguia estragar o prazer de tudo. Quando voltei para casa, encontrei-a sentada no sofá, lendo um livro.

_Espere! _ pedi ao vê-la fazer menção a se levantar. _ Não podemos ficar fugindo um do outro.

Jeni encostou-se no móvel de porta-retratos e ficou olhando para o livro, deu leves batidinhas com a palma da mão contra a capa e depois alisou-a.

_Eu não agüento essa tortura. _ reclamei, mas sem levantar a voz.

Pus a minha pasta na mesa junto com as chaves do carro. Caminhei em sua direção até parar à sua frente, mas deixei uma distância limite para que não se sentisse pressionada. Eu podia ver minha imagem refletida no espelho atrás dela.

_Jeni... eu não posso mudar o que se passou entre mim e sua mãe. Como também não consigo negar o que sinto. Não tem idéia do que foi passar dias vendo no seu rosto os traços dela. Era um pesadelo porque eu comecei a gostar de você e, ao mesmo tempo, ficava pensando: “Será que estou procurando a Elisa nela?”. Essa é a maior confusão mental que possa imaginar. Me revoltava quando eu via algum gesto seu que parecia com o dela. Eu queria esquecer o meu passado, mas o presente me trouxe justamente um pedaço desse passado em forma de outra pessoa.

_Desculpe se te fiz mal, mas garanto que se eu pudesse eu teria evitado tudo isso... _ ela falou com uma voz fria e polida.

_Se pudesse? Você acredita no que está ouvindo sair da sua boca? Você realmente queria ter evitado nosso encontro?

_ ... _ Jeni não respondeu, nem me olhou se quer uma vez.

_ Mas eu consegui colocar só você em primeiro plano e deixar para trás os meus fantasmas. Percebi que você é completamente diferente dela. Não posso negar, me apaixonei sim por uma garota mais nova e isso não é fácil para mim também. Mas, quando temos tantos benefícios, pagamos o preço da felicidade. Eu era feliz como nunca fui até nossa paz ser quebrada. Eu não quero viver como irmãos, não dá para ser seu amigo quando eu tenho vontade de dormir com você! Não dá mais para voltar, não dá! Será que você pode ao menos olhar para mim quando eu falo?

Jeni levantou seus olhos e me encarou.

A campainha tocou.

_Quem falta bater nessa porta? O Papa?! _ grunhi e caminhei irritado para abri-la.

_Oi, Ruan?! _ era o filho de oito anos do meu vizinho.

_Oi. _ respondi com um sorriso, pensando na idéia ridícula que tive alguns segundos atrás por temer quem me chamava à porta.

_O meu gato está na árvore do seu quintal.

_É?

_É! Ele subiu e agora não quer descer.

_Vamos ver o que podemos fazer para tirá-lo de lá? _ convidei-o para entrar. _ Sua mãe sabe que você está aqui? _ perguntei.

_Sabe, ela que me mandou vir.

_Ah! Tá... _ coloquei minha mão em seu ombro. _ Jeni, eu vou fazer salvar um felino ali e já volto.

Ela agüentou para não sorrir, mas não deu, abriu um sorriso pequenininho, no canto da boca.

_Vou tirar primeiro a farda, você me espera na varanda? _ apontei para a porta da cozinha.

_Espero. _ ele aceitou e eu fui até o quarto vestir uma bermuda e uma camisa.

_Você gosta de cachorros? _ ouvi Jeni conversar com o menino enquanto eu me trocava.

_Onde está o seu gato? _ perguntei, chegando na varanda.

_Ali. _ ele apontou com o dedo.

_Hum... _ caminhei com ele até a árvore.

_Nossa! Como subiu ali?! _ perguntei.

_Ele tem garras. _explicou-me, orgulhoso das capacidades de seu bichinho.

_É? E agora? Eu não tenho garras.

_Sobe, oras. _ disse-me, como se fosse fácil.

_Vou pegar uma escada.

Eu não era o Thundercat, precisava de uma ajudinha tecnológica. Trouxe a escada branca e abri-a para alcançar o galho.

_Como é o nome dele? _ perguntei.

_Juba.

_Por que esse nome?

_É que ele é muito peludo.

_Ele não vai me arranhar não, né? _ perguntei.

_Você tem medo de gato é? _ ele riu e zombou de mim.

_Claro... que não!

Subi no galho e estiquei o braço para alcançar o animal.

_Vem cá, vem... _ chamei-o, mesmo sabendo que minha linguagem felina não era das melhores. _ Vem...

_Juba, vai com ele! _ o menino gritou.

Precisei chegar mais perto e o peso do meu corpo fez o galho abaixar. Com a diminuição da altura, o gato pulou e foi pego pelo seu dono.

_Valeu, Ruan! _ o menino agradeceu.

Senti que a instabilidade do galho não me permitia voltar.

_Jeni! _ gritei e ela veio em meu socorro. _ Coloca a escada aqui de baixo. _ pedi, mas era tarde, o galho se partiu e eu cai. _ Aiii...

_Juan! _ ela ofereceu-me a mão.

_Ai... Minhas costas... _ reclamei.

_Deixa eu ver... _ ela levantou minha camisa. _Nossa, você levou um corte feio.

_Ai, está queimando. _ senti dor.

_Agora que já pegou o seu gatinho, pode ir, né? _ Jeni falou para o menino, que correu de volta para sua casa.

_Ah! Obrigado, Ruan! _ ele gritou.

_Nada... _ falei baixinho, sabendo que ele não iria conseguir ouvir nem que eu gritasse.

_Vem comigo... _ Jeni puxou-me até o tanque. _ Tira a camisa. _ pediu.

Quando olhei o sangue no tecido, entendi por que ela incitara o menino a ir embora. Não queria assustá-lo. Mas Jeni, como sempre, não parecia nervosa.

_Vou lavar. Se inclina. _ pediu.

_Com água fria?!

_Nem parece milico. _ desdenhou e molhou as mãos para limpar o ferimento.

_Está tão feio assim?

_Foi superficial. Não vamos precisar chamar a ambulância.

_Muito engraçadinha. E nem mereço um só elogio por ter salvado um gatinho indefeso?!

_Manda uma carta para o IBAMA. _ ela usou a camisa para secar minhas costas. _ Senta ali em cima da mesa que eu vou pegar os curativos. _ ordenou.

_Obrigada, enfermeira mal-humorada.

(Trilha Sonora, clique aqui agora!)

Segui sua instrução e a esperei voltar. Jeni estava mais linda com a luz do dia resplandecendo frontalmente em seu rosto ou era a minha saudade de poder tocá-la que aguçava minha contemplação?

Ela fez seus procedimentos e depois parou ao meu lado para guardar tudo de volta na caixa.

Eu nunca podia imaginar que aquela garotinha de quem Elisa me falara assim que nos conhecemos seria meu futuro amor. Uma menina relegada a própria sorte, que primeiro caíra nas mãos da avó e depois de um padrasto, agora estava sob a minha proteção. Quando Elisa me disse que já tinha uma filha, eu pensei imediatamente que no futuro ela poderia acabar sendo minha também, pelo menos como filha de consideração. Se eu tivesse ficado com Elisa, meu sentimento hoje por Jeni seria outro. Mas quis a vida me separar de sua mãe, justamente, para eu me encontrar com ela como homem. E era assim que eu a desejava.

Segurei seu braço e a puxei para que ficasse à minha frente, entre as minhas pernas. Olhei-a nos olhos.

_ Ou é para sempre ou nunca mais. _ disse-lhe.

Jeni engoliu em seco e olhou para a minha boca e eu fiz o mesmo. Segurei seu rosto e, antes que ela pudesse fazer qualquer movimento de recusa, inclinei a cabeça para a direita, enchi os pulmões de ar e a beijei. Jeni pôs sua mão sobre a minha, que ainda segurava seu rosto, mas não fez força para soltá-la. Deixou-se puxar por minha outra mão em sua cintura. Era maravilhoso sentir o gosto dos seus lábios molhados e sensíveis entre os meus.

Ela afastou sua boca e encostou sua testa na minha. Soltou o ar dos pulmões com força e riu um riso nervoso, que me pareceu um alívio quase dolorido. Eu conseguira quebrar sua resistência. Jeni beijou a minha mão que tinha entre a sua e me olhou nos olhos.

_Ainda somos um só? _ perguntei-lhe.


Autora: Li
(lianotacoes.blogspot.com)

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15 comentários:

gaúcha disse...

Aiiii, Li, O Ruan é a coisa mais fofinha do mundo!!!!!!
Dá até um um frio na barriga ler as palavras deles em relação a Jeni!
Como ele é carinhoso!
Os dois definitivamente são mto lindos!!!
Amei o capitulo!
Agora falta saber o q tem na caixa da Jeni... huuuummmm

Li disse...

Verdade!
A caixa tem que voltar a cena...
Beijos!

o.0

Li

Lucy disse...

Aii!!!!!! Lindoooooo lindooooooo lindooooooo!!!!!!!

A frase é perfeita!!!! "Ou pra sempre ou nunca mais"!!!!! Perfeito!!! \o/

Gente, é pra sempre! É pra sempre!!!

\o/ /o\ \o/ /o\ \o/

O Ruan é lindo! A Jeni tá ficando linda!!! CINCO ANOS EM UM!!!

aninha disse...

para sempre ou nunca mais... e a Jeni linda tem que ser inteligente... escolher PARA SEMPRE ETERNAMENTE FELIZ!!!!!!! deu até vontade de chorar agora!!! perfect!!!!!!!

Li disse...


Lindos né?!!!
Eu amo esses meus personagens!
Vai ser triste me despedir deles...
Já passamos da metade do livro.


Já estou me encontrando com meus novos personagens e aprendendo a lidar com eles dentro de mim...

Mas por enquanto, nenhuma informação para vcs, curiosas.

Beijooos

aninha disse...

já ????????? como assim passamos da metade ???? aiiiii!!!!!! que triste!!!!

sarah disse...

q lindo vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
q felicidadeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
esses dois são fofos msm!!!
ah o ruan é td d bom né?!
bjinhos

KÁKÁ disse...

agora ela vai responder..somos 3..kkkkkkkk e ele morre do coração..kkkkk
eles são lindos juntos..ele eh perfeito..pergunta perfeita..td perfeito..rs..
bjs li..n acaba n... to amando...

Deisinha Rocha disse...

Simplismente A-D-O-R-O qndo eles se reconciliam...

LINDOOOOOOOOOHHHHHHH!!!!!!

*algumas lágriminhas presas no olhar

Sim, sim, sim...
acredito mto q ela esteja grávidaH...

mas como assim passamos da metade do livro???
nãaaaaaaaaoooo...
achei q esse livro ia ser q nem o da Bela e do Caio... q tem quase 100 capítulos...

mas Li... conta logo o q tem na caixinha...

conta conta conta conta!!!!!!!

Li disse...

o q tem na caixa? boa, boa...
o próximo capítulo revelará.
:)

gaúcha disse...

Por favor, Li!!!
Só me diz se o próximo cap será ainda hoje ou só amanhã senão fico mto agoniada e entro aqui de dez em dez minutos na esperança de encontrar... heheheh
To curiosa p saber o q tem na caixa!
Bjo

Deisinha Rocha disse...

ah, sim Li...
concordo com a gaúcha
soh diz se vc posta amanhã ou hj...
considerando q amnhã só conta qndo for de manhã... 00.01 ainda é hj...

ok?!

bjOo mininasssss...

mell disse...

_sim, sim,. sim ruan! ainda somos soh um_ disse jenni!
hushaushausashsahsua

q coisa mais lindaaaaaaaaa (L)
sobre o capitulo anterior q eu naum comentei, pois soh li agora!
naum tenho nem ideia do q possa estar dentro da caixa, depois q li os comentarios ateh pensei tb q ela pudesse estar gravida!
mas sera???
aaii.. naum sei!
posta logo aii liiii =**

ana carolina disse...

meninas...grávida não é...a caixa é muito pequena e é de recordação..para mim é uma foto pequena, ou uma carta pequena...aii li, não deixa eles se separarem de novo não...que oq tem na caixa não separe os dois!!!beijos!!
Ahhhe é para sempre!!!

Li disse...

oi meninas, to aki escrevendo um trabalho para a faculdade importante.
mas amanhã todas juntas vamos fazer um círculo em volta da caixa e ver o que tem dentro combinado?

rs.

beijos!

(postarei a tarde, qnd eu chegar da fac)

Li