07/09/2007

Cap 4: Fuga (Jeni)

Sentada no sofá de casa sozinha, senti-me sem opções, na encruzilhada. Respirei fundo e continuei olhando para a parede amarelada.

“Podemos falar que sou seu pai”, a voz de Ruan na minha cabeça lembrava-me que havia, sim, uma última opção.

Eu não teria dinheiro para quitar o restante das parcelas da casa do meu padrasto. Eu, nem ao menos, saberia por onde começar a procurar um trabalho muito bom que pudesse prover o suficiente para sustentar-me.

Olhei para o lado e vi que ainda estava na mesinha do abajur o papel com o número de telefone de Ruan.

O que ele queria de mim? Quanto me custaria a sua ajuda? Nada é de graça. Mas se eu ficasse aqui, sem apoio de ninguém, acabaria debaixo da ponte, à mercê da maldade ainda maior de homens asquerosos de rua, poderiam matar-me ou...

_Respira, Jeni, respira... _ falei para mim mesma, não deixaria que aqueles pensamentos se apoderassem de mim.

“Seu padrasto, antes de morrer, me fez jurar que cuidaria de você”, novamente a voz daquele homem ressoou dentro da minha cabeça. Parece que eu estava vendo-o do meu lado, calça social bege, blusa branca de riscas e óculos escuros.

Meu padrasto sabia que eu ficaria na pior, por isso intercedera ao meu favor.

Peguei o telefone para ligar para Ruan.

_Droga, cortaram o telefone... _ resmunguei baixinho.

Ouvi duas pancadas no portão com força. Assustei-me e corri para ver o que era.

_Almeida, Almeida! _ era voz de homens e pareciam furiosos.

Contive minha mão e não abri a janelinha da porta. Fui até o quarto do meu padrasto que tinha uma janela de frente para a entrada da casa e olhei através das frestas da persiana. Eram dois homens com cordões prateados no pescoço e blusas abertas. Fumavam cigarro e um deles, mais moreno, tinha tatuagem no pescoço.

_Ai, Meu Deus! _ senti um arrepio.

Eu já havia visto aqueles dois. Há duas semanas, mais precisamente numa quinta-feira, eu cheguei da casa de uma amiga e os encontrei na sala, discutindo com meu padrasto Almeida.

Eles pediam que lhes pagasse o que devia. Almeida mandou-me para o quarto aos berros e, antes de eu fechar a porta, eu ainda ouvi piadinhas dos homens de que eu serviria como parte do pagamento.

Não sabia em quê ele estava metido, talvez com agiotas. O fato é que as dívidas se multiplicavam e eles, agora, tentariam arrancar de mim.

_Está se escondendo, é?! _ eles gritaram.

_Mande-os embora, Deus... _ comecei a rezar, trêmula, encolhida no chão. _ Eu tenho que sair daqui. _ senti uma impulsão vir de dentro de mim.

Ouvi o primeiro disparo atingir a maçaneta da porta. Eles forçariam a entrada. Meu coração disparou. Corri para a cozinha, abri a porta que dava para o quintal dos fundos.

Eu teria que voltar para pegar uma cadeira, pois não conseguiria pular o muro sem ela. E depois, ainda precisaria domar o cachorro da minha vizinha, que poderia me denunciar com seus latidos.

Olhei ao meu redor e senti um pânico tomar conta dos meus sentidos. Foi quando reparei na caixa d’água retangular de amianto. Corri até ela, puxei a tampa pesada com uma certa dificuldade. Peguei um balde próximo ao tanque, emborquei e subi com este apoio, entrando na caixa. Puxei novamente a tampa e fiquei ali, imersa na água gelada, apenas com o nariz próximo à saída de ar da tampa.

Os homens reviraram toda a casa à procura de dinheiro, levaram alguns objetos de valor e desistiram de esperar alguém chegar.

Mesmo assim, ainda fiquei ali por mais um bom tempo como um peixe, em estado de pânico. Eles sabiam que eu morava naquela casa e podiam querer voltar para armarem uma emboscada.

Quando o silêncio total se fez, saí de dentro da caixa e comecei a tremer de frio e medo. Não queria ficar ali nem mais um segundo. Abri a porta da rua e andei uns cinco quarteirões em linha reta. As pessoas me olhavam intrigadas, eu estava descalça, com a blusa semitransparente e o cabelo pingando.

Finalmente, vi as luzes do quartel acesas. Parei diante da guarda que estranhou a minha presença.

_Eu preciso falar com o capitão Ruan. _ eu disse, sem fôlego. Apoiei minhas mãos no joelho. _ É muito importante, é urgente! _ expliquei.

_Ele já saiu. _ avisou um dos soldados, segurando firmemente sua arma.

_Não, não diga isso. _ meus lábios começaram a tremer. _ Onde ele mora?

_Não podemos informar... _ eles estavam muito desconfiados.

_É um caso de vida ou morte, ele tem que me ajudar. _ expliquei. _ Meu padrasto era o Almeida, que morreu semana passada. _ disse-lhes para que vissem que eu não era uma completa estranha.

_Eu sei quem era. _ comentou o outro soldado.

_O capitão mora na vila a duas ruas daqui. _ apontou um deles discretamente, falando baixo para não chamar a atenção. _ É uma casa de esquina que fica na frente de um quartel vermelho.

_Obrigada. _ continuei andando, meus pulmões estavam doloridos de tanto respirar rapidamente.

Encontrei a casa, abri o pequeno portão que estava destrancado e bati na porta três vezes.

Ruan mesmo abriu, estava de calça jeans e com uma camiseta cavada branca. A primeira coisa que fez foi olhar-me de cima a baixo, surpreso ao ver-me daquela maneira, com pés sujos, molhada, nervosa e com uma clara expressão de apavorada.

_Eles querem me matar. _ minha voz saiu trêmula.

Autora: Li

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13 comentários:

Tita disse...

Que legal!
Claro que não é legal eles quererem matá-la, ela não ter pra onde ir, como se sustentar e ter que se esconder numa caixa d'água. Mas que emocionante que tá essa estória! To gostando...
Beijos e Li, continua que tá legal!

Li disse...

Oi, Tita, flor!
Que bom que passou por aqui!
Sim, está emocionante mesmo!
Beijinhos da Li

Li disse...

"Let's go girls"... ( Não tinha uma música que dizia assim? E depois fazia um barulhinho eletrônico de parampam tan... ok, sou péssima de sonoplastia hehehe)

Tita disse...

Tantan tanãnãnãnã pã!
auhauhha que tal?

Li disse...

é issoooooooo!!!!

vc é melhor que eu hen?!

aninha disse...

nossa!!! emocionante isso aqui!!!! amando muito tudo isso!!!!!!

mellzinhaaa disse...

nossa =O
coitada dela... mas eu naum iria com ele embora!
aquele assassino de cachorro.
rà ¬¬

kamylla disse...

Nussa mt interessante a estoria... to gostando =]]
Vou indicar pra umas amigas.

bjkssss

Li disse...

ohhh indica sim!!!
brigada!!!
beijos da Li

Lucy disse...

Hahahahahahaha... ela ficou no sanhaço!!!
Mto legal essa adrenalina, Eli!!!
Vc descreveu muito bem tudinho, tanto nesse capítulo quanto nos outros! Consegui acompanhar cada cena bem legal... =)))

Bjuuuu!!! To ansiosa pelos próximos!!! \o/

Paula disse...

Não gosto do Ruan!

Li disse...

É o Ruan não é bomzinho, mas quem é completamente bom na vida real? :P rs

Nati disse...

Tadinha da Jeni!! Deu para sentir todinho o panico dela.
Será que eu consigo chegar hj ao capitulo mais atual?? rs


Ps:O nome do padrasto dela nao era Souza?