06/09/2007

Cap 3: Insondável coração (Ruan)

Quando a conheci, o que primeiro vi foram seus olhos pela janela da porta, um par de escuro penetrante. Tive medo de que minhas palavras retirassem as colunas que sustentavam sua vida. Mas, ela me pedia que lhe contasse com facilidade o que para mim era um suplício.

Estranha essa sensação. Levei anos para aprender a matar, mas não conseguia comunicar a filha de uma pessoa que seu pai morrera por acidente. Como pode tirar a vida, mesmo que em legítima defesa, parecer estranhamente mais fácil?

_Jeniffer, o seu pai...

_Ele não é o meu pai, é o meu padrasto. _ consertou.

Não sabia o quanto aquilo poderia melhorar sua compreensão sobre os fatos.

_Ele morreu. _ duas palavras foram o máximo que consegui para resumir de uma vez a situação.

_Quê? _ seus olhos, a única ponte entre nós, se fecharam e abriram novamente, lentamente, como se ela estivesse acordando, querendo acreditar que era mentira. _ Mas, ele saiu daqui não faz muito tempo...

Assim é a vida. Saímos de casa pensando no dinheiro do aluguel, na carne que temos que comprar no açougue na volta do trabalho, no futebol e, simplesmente, não voltamos.

_Foi um acidente, ele levou um tiro de uma arma que...

Ela simplesmente desmaiou.

_Droga! _ bati no peito do meu soldado para acordá-lo para a realidade. _ Vamos ter que entrar.

_Como? _ perguntou ele.

Olhei para o lado da casa, havia um corredor separado por um portão de ferro.

_Você escala uma montanha, um muro não é tão difícil. Ela pode ter batido a cabeça.

_E o cachorro? O que eu faço com o cachorro?

_Eu é que não tenho o que fazer com um cachorro. Mata ele e pula o muro. Tem que abrir a porta por dentro. A vida dela é mais importante, deve ter entrado em estado de choque. _ ele hesitou por um momento. _
Ora, vamos, você nunca matou uma galinha? _ Estendi a mão, fazendo sinal para ele esperar, quando mirou a arma. _ Não mata, depois isso vai me dar problema, só dá um jeito nele para poder entrar. _ mudei a ordem.

Ele atirou e o bicho se estrebuchou no chão. Não digo que não tive pena, mas ele precisava liberar a passagem. Em questão de segundos, o soldado abriu a porta.

Lá estava ela aos meus pés, recurvada e com as mãos tateando o nada.

_Calma, você deve ter tido uma queda de pressão... _ falei baixinho. _ Vou levar você comigo. _ peguei-a no colo. _ Feche a porta da casa. _ ordenei ao soldado.

Trouxe a menina comigo e, chegando ao hospital, ela ficou no soro. Permaneci ao seu lado na maca até que voltasse totalmente à realidade.

_Eu ouvi um tiro... quando estava acordando...? _ perguntou-me.

_É, tivemos que tirar o seu cachorro do caminho e...

_Quê? _ ela levantou a cabeça e seus olhos encheram-se de lágrimas.

_Mas... _ eu perdi a ação.

_Ele morreu?! Diz que ele não morreu! _ ela começou a chorar mais e mais. A enfermeira aproximou-se e falou que ela não poderia mais ter alterações.

_Jeniffer, eu tinha que te tirar de lá. _ expliquei.

Ela virou o rosto para o outro lado. Respirei profundamente. Não poderia gritar, mandar fazer flexão, nada, só receber seu desprezo calado. Definitivamente, eu não sabia lidar com adolescentes.

_E agora? _ ela virou-se abruptamente e perguntou-me.

Era melhor que tivesse prolongado o desprezo. Aquela pergunta era difícil demais.

No enterro, ela pareceu-me mais triste pelo cachorro perdido que pelo padrasto, ou talvez fosse coisa da minha cabeça. Nunca cheguei a descobrir os mistérios insondáveis do coração de Jeni.

Ela ficou parada, sozinha, na frente do caixão. Eu não consegui deixá-la. Havia jurado que não faria isso.

_E agora? _ ela perguntou-me mais uma vez e olhou para mim, levemente erguendo a cabeça para cima.

_O que posso fazer para te ajudar? _ perguntei.

_Não vai embora... _ pediu.

Continuamos olhando para frente. Eu não podia levá-la para minha casa, o que iriam pensar, falar de mim?

_Jeniffer. _ chamei-a pelo nome. _ Seu padrasto, antes de morrer, me fez jurar que cuidaria de você.

_Fez?

_É. Só que eu estou me transferindo, já está tudo pronto e... Como farei isso? Longe?

_Eu não tenho ninguém por mim mais...

_Tem a mim. _ disse-lhe. O juramento me perseguia.

_Por que? Vai me levar com você?

_Você disse que não tem ninguém aqui por você. _ dei de ombros.

Ela olhou pensativa mais uma vez para frente.

_E o que diremos? Que sou sua irmã?

_Podemos falar que sou seu pai.

_Eu com 17 e você com...?

_32.

_É... Você teria sido um pai adolescente. _ ponderou.

Ela fitou-me longamente.

_Você sabe o que está propondo? Ser pai?! _ fez uma careta.

_Já está criada mesmo. _ sorri de canto de boca.

Autora: Li

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9 comentários:

Paula disse...

Não gostei do fred ter morrido!!!!
Tenho 4 cachorros e se alguem faz algo com eles perde meu respeito!!!
podia ter feito algo melhor!!!
Ta bom que muitos militares não pensa muito...mas sera que no livro ele nao poderia ter sido esperto e pensado numa coisa melhor!!!
tipo um prende a atenção do cachorro enquanto o outro pula o portão!!!

mell disse...

odiei o capitulo de hj!
ora matar o cachorro ¬¬
se alguem matasse meu gato, nem sei o q faria com a pessoa!
se eu estivesse na situaçao da jeniffer, jamais iria embora com esse 'idiota', pelo simples fato dele ter matado o cachorro!
concordo plenamente com a paula, matar o cachorro foi uma ideia pessima!
desculpa li... mas acho q podria ter sido diferente, antes entao naum tivesse colocado o cachorro na historia!

eu amei o caio des do primeiro capitulo do outro livro... mas esse tal de ruan jah começou mal! ele naum tera a minha admiraçao em nada do q fizer!
tomara q a jennifer arrume outro...

aninha disse...

tremenda situação eim!!! tadinho do cachorro!!!!! algo me diz que esse livro vai ser polêmico!!! vamos esperar os próximos capitulos!!!! mas to curtindo Li... só não gostei de terem matado o cachorro... bjks

Tita disse...

Po, ele matou o cachorro no desespero, gente! E olha a situação. O que ele faria com o cachorro? E se ele mordesse? Melhor que deixar a Jeni morrer né? Imagina, daí acaba o livro e aí fica o Ruan boiando na história... ia ser chato! uahuahuauha

Li disse...

Rs, pois é Tita, o Ruan boiando não dá hahahah adorei essa!
Beijocas fofinha!
Vamos ao próximo capítulo...

Li disse...

**Estou trazendo um suquinho de maracujá, é ótimo**

Meninas, calma, rs, vamos virar a página e deixar que eles nos contem...

Beijos no coração, minhas leitoras "acaloradas" que adoro!

Eu não vivo sem vocês, rs!

Hoje, estou em um péssimo dia, mas vir aqui e saber que alguém deu uma passadinha para ler o que escrevo é muito bom.

Li

Lucy disse...

Hmm... voltei miga! Estou meio off por causa da folga do meu love, mas eu sei q vc entende!

Acabei de ler os dois capítulos e estou adorando a adrenalina toda!

Também acho uma pena o cachorro ter morrido, mas há males que vêm para bem (alguns, para o mal mesmo, mas deixemos isso de lado agora). Acredito que o Ruan poderia ter pensado em outra forma de entrar, mas tá certo: a vida da Jeni é mais importante que a do cachorro. Isso com certeza.

De qualquer forma, tendo ele pensado nisso ou não, cada escolha envolve uma perda (eu jah te falei isso mtas vezes, acho que vou começar a renovar o estoque de "minutos de sabedoria") e tudo acontece de uma determinada forma que vai acarretar um ensinamento.

Eu não quero culpar nenhum dos dois, nem o Ruan nem o soldado. Eles focalizaram no objetivo que era salvar a vida dela e cumpriram a missão. Brasil.

Eu confio na competência do Ruan. Se eu der uma missão, ele cumprirá. Por cima de pau e pedra.

E assim... meninas, não julguem o rapaz desse jeito. Nós sabemos como ela amava o cachorro, ele não. E na hora de salvar a vida de um ser humano, a vida dos animais torna-se uma preocupação menor. Isso é fato e eu concordo. Mas, enfim... é a minha opinião.

Enfim, to amando a estória toda e não sei porque nao gostam do Ruan... eu gosto mto dele e da Jeni. São personagens amáveis... ingênuos, cada um em uma determinada área da vida, e vão se descobrir aos poucos.

Adoro acompanhar o crescimento dos personagens criados pelo autor. É muito bacana ver os erros e acertos de uma mente em construção e descobrimento próprio.
Abram a mente e o coração para esses erros e acertos, gente, porque a melhor maneira de aprender é aprender com o erro dos outros, assim vc evita sofrimentos inúteis na sua vida! \o/

Li, tah lindo o livro... to amando tudo!
E, gente... eu gostava do Caio. Mas, sinceramente, tenho gostado mais do Ruan... tlz porque vejo nele um ar de pró-atividade que raramente vi no Caio, mas isso é porque tivemos pouco contato com ele, tadinho...

De qualquer forma, que venham os próximos capítulos!!! =)

Marga disse...

AAAAA!!! Não gostei de terem matado o cachorrinho também!!! que dó!!! já não fui com a cara esse Ruan aí não hein!!
to começando a ler o livro hoje... hehehe, fiquei me sentindo meio "traidora" com o outro livro... mas acho q igual a aquele não vai ter não!
bjo meninas!!

Nati disse...

Comecei a ler o livro hj...Estava adorando ateh agora =(...Poxa, que maldade fazer isso com o cachorro...Eu sou apaixonada pelos animais...Não gosto de quem os maltrata.
O soldado nao podia acertar soh para ferir pelo menos? para que matar?
Como pode um soldado que nao sabe atirar?

Vamos continuar e ver se mudo minha opinião.

Beijos =**