29/09/2007

Cap 30: Passado e presente se fundem (Jeni)

Minha sogra e eu estávamos sentadas no sofá conversando quando ela me fez uma pergunta que me intrigou:

_O Ruan já te contou o que aconteceu com ele?

_Hum?

_Ele não contou pelo visto. Ele ficou assim depois de tudo... Se fechou completamente...

_Do que a senhora está falando? _ franzi a testa.

_Eu vou contar, mas espero que não fique chateada...

_Claro que não! Vou ficar se não me contar!

_Bom, o Ruan tinha uma namorada muito mais velha que ele quando ainda era cadete. Ela tinha já filho e tentou convencê-lo de que engravidou dele, mas não era verdade...

Eu senti meu coração disparar. Daniel! Daniel! Ele era o Daniel! Eu sabia! Eu sabia! Eu sabia! Ele tinha mentido, dizendo que era invenção. Não era!

Eu não sabia se ficava triste ou feliz por saber que Daniel não era completamente mentira.

_Ele me contou sim sobre isso. _ disse-lhe. _ Mas... _ hesitei. _ Ele tentou se matar?

_... _ ela virou o rosto para o lado.

_Se não quiser me contar...

_Era um domingo. Ruan me ligou e disse: “Mãe, antes de vir para casa, passa no supermercado e compra para mim biscoito”. Eu não contestei, fiz o que me pediu. Lá do supermercado, liguei para ele de novo para perguntar qual o biscoito podia substituir o que me pedira, porque não tinha daquela marca. Mas o telefone não atendia mais...

Os olhos da minha sogra se encheram de lágrimas e os meus, também. Ela ficou mexendo no anel do dedo.

_Quando abri a porta de casa, não ouvi barulho de música, só o silêncio. Você sabe que Ruan vive para tocar aquele violão, né? _ ela continuou a contar, por alguma razão tinha necessidade de me passar todos os detalhes. _ Eu abri a porta do seu quarto e o vi deitado de bruços.

Minha mente vislumbrava a cena perfeitamente. Eu nunca vi “Daniel” tão vivo como agora, sendo narrado pela voz da minha sogra. Entendi porque havia ligado para pedir o biscoito, ele queria atrasar a mãe para que ela não o impedisse de fazer o que pretendia.

_Eu caminhei na direção da cama e passei a mão em sua cabeça. Ele não se mexeu. Olhei para o vidro de comprimidos que eu tomava na cabeceira da cama. Ruan estava babando no travesseiro. Era o meu filho... O meu filho! _ ela repetiu aquilo com uma dor quase aguda.

Lembrei-me da frase de Daniel em um dos e-mails: “Pense que eu poderia ter morrido e você não ter me conhecido”.

Se Ruan tivesse conseguido se matar, ele não teria entrado na minha casa para me pegar no colo e levar ao hospital. Nem teria me livrado dos homens que vieram cobrar o dinheiro do meu padrasto.

_Eu virei ele de lado e o abracei. Passei as mãos no seu rosto gelado. Ele era um garoto maravilhoso, o melhor filho, o melhor amigo, o melhor tudo. Não duvido que está sendo o melhor namorado para você...

Abaixei meus olhos. Eu tinha feito tanto mal a Ruan esses dias e ele ali, cuidando de mim.

_Coloquei-o no carro e entrei na emergência, gritando feito louca: “Salvem o meu filho”! Eles fizeram uma lavagem e conseguiram reverter os efeitos da overdose.

_Não posso acreditar que Ruan tentou se matar. Ele é tão forte, tão firme, tão resoluto em tudo...

_Eu sei, minha querida, mas ele era diferente. Mais doce, ingênuo... Aquela mulher acabou com o meu garoto. Destruiu a vida dele! Só que eu disse para ele, quando acordou no hospital: “Agora você tem uma vida nova”. Claro que ficariam seqüelas, não físicas, mas emocionais. Ruan começou um tratamento psicológico e também adquiriu uma insônia forte.

_Por causa dela que ele começou a tomar remédios para dormir? _ perguntei, montando o quebra-cabeça.

_Sim, por causa daquela “mulherzinha”. Ainda bem que ela arrumou outro homem e o deixou em paz. Eu fico feliz que ele esteja bem agora. Ruan me ligou semana passada, disse que tinha encontrado uma garota muito legal... _ ela deu uma tapinha na minha mão.

Sorri.

_A senhora acha? Somos diferentes...

_Jeni, eu não me importo que sejam diferentes, eu só quero alguém que faça o bem ao meu filho. É o mínimo que uma mãe pode pedir.

_Ele te disse que está feliz comigo? _ perguntei.

_Nem precisa. Olha o jeito que ele cuida de você! Jeni, você tirou a sorte grande, não é porque é meu filho não!

_Ele é uma boa pessoa...

_Você o ama?

_Eu preciso responder?

_Não, eu vejo como você olha para ele também.

_Eu? _ apontei para o próprio peito e ri.

_É. Ele estava almoçando aqui ontem e você não parou de ficar admirando ele.

_Eu?! _ ri mais alto. _Jura?!

_Jeni... _ ela segurou minha mão. _... O Ruan se preparou para aquela mulher. Ele aprendeu a tocar violão, ele aceitou ela ser mais velha, ele fez tudo por ela! Só que não era para ser, não era! E veja: a vida trouxe meu filho e te deu assim... de mão beijada!

_É. _ tive que concordar.

Ruan abriu a porta da sala e Juanito veio recebê-lo com pulinhos. Ele abaixou e afagou a cabeça do meu cachorro.

Parecia que eu via tudo em câmera lenta. Enquanto as peças se encaixavam na minha cabeça, eu olhava Ruan sorrindo e brincando com Juanito.

Ele se fez de Daniel para reviver uma época passada. Eu tive a oportunidade de conhecer o Ruan antes daquele incidente e me apaixonei pelo Ruan que sobrevivera a ele. O Daniel que eu tinha tanta curiosidade de conhecer estava a todo tempo comigo.

Refleti sobre a dor de Ruan em ser traído pela namorada que amava, depois descobrir que o filho não era dele. Vi na minha cabeça sua imagem deitado na cama, nos braços de sua mãe. Era a própria
escultura La Pietá, de Michelangelo.

“Pense que eu poderia ter morrido e você não ter me conhecido”...

Eu confiei naquele cadete para contar todos os meus medos e ele estava dentro do Ruan. Era incrível! Meu Deus, como eu pude ter feito tanto mal a ele?! Como?!

Agora ele era um capitão. A mágica do tempo fez o relógio girar muito rápido e o trouxe para mim, muitos anos depois!

Ruan inclinou-se para beijar a mãe no rosto e pedir sua benção.

_E a Jeni, não vai merecer um beijo? _ minha sogra perguntou.

Ele olhou-me nos olhos e se inclinou.

Não poderia negar, por mais que eu tivesse que escolher Ruan e deixar Daniel na posição de amigo, eu queria estar perto do meu amigo virtual para sentir como seria. Pronto, lá estava Daniel, prestes a me beijar.

Fiquei imóvel, apenas entreabri os lábios para receber seu beijo.


***

(Trilha Sonora, clique aqui agora!)

Minha sogra foi embora e novamente eu tinha meu quarto. Só que sua presença mudara tudo. Eu agora sabia a verdade sobre Ruan e Daniel. Aquilo estava me angustiando. Levantei-me da cama e tomei uma decisão. Precisava falar com ele.

_Ruan? _entrei no escritório e parei na frente da sua mesa.

_Que foi? Vai fazer algum número circense? Não tenho tempo para suas palhaçadas infantis.

_Não era mentira.

Ele parou de escrever, mas não me olhou, apenas ficou segurando a caneta.

_Você queria que a gente vivesse em dois tempos. Ao mesmo tempo em que eu era o seu presente, me fez entrar no seu passado.

_Minha mãe te contou? _ continuou me ignorando.

_Tudo. Eu vou responder a sua pergunta. Como teria sido se você tivesse morrido? Eu não sei. Mas com você, certamente foi melhor do que qualquer outra possibilidade. Me perdoe se eu vou te dizer isso... Mas eu me compadeci com a sua dor e queria te abraçar quando me contou a sua história. Eu não podia ter gostado, mas... eu te amei de duas maneiras, sem saber. Na forma Ruan e na forma Daniel. Um era amor carnal e o outro, amor fraternal. Eu estava lá no seu passado. Ninguém vai entender o que estou dizendo, não tem lógica alguma... _ ri de mim mesma. _ Mas eu estava lá com você.

Ruan levantou os olhos e me olhou em cheio.

_Desculpe, desculpe... _ corri para a porta e sai.

Autora: Li
(lianotacoes.blogspot.com)

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8 comentários:

Lucy disse...

Estou mto emotiva hoje... só estou afim de ler e deixar as lágrimas rolarem... sem palavras por agora...

Bjo, Li...

Li disse...

bj ni vc, como diz a deise. rs.

antes que gritem, simmmmm era ele o daniel direitinho!

Deisinha Rocha disse...

Li...
vc hein...
uma hora faz gnt rir, ai a gnt passa raiva, fica de boca aberta, aih tenta adivinhar os capitulos, aih a gnt chora e rir...
e agora faz a gnt desabar em cachoeiras de lágrimas...

Li...

vc é demais...



rsrs


Pra não perder o costume...
bjo ni vc...

e bjo ni vc tbm, Lucy...



e sim, era o danieeeeeeeeeeeeeelllll...

^^

Li disse...

bj ni vc nu meu pai na minha mae e em toda minha familia hahahha

n resisti

Ana Carolina disse...

Ai ai ai Li...fiquei com raiva da Jeni e do Ruan, só que agora deu uma dor no coração saber que ela não queri anada com o Daniel e que o Ruan só fez mesmo aquilo para tbm desabafar...eles são perfeitos...faz ele ir atrás dela para eles se reconciliarem de vez!!Eles merecem ser felizes..ela já sofreu tanto com uam história de vida maluca, e ele com uma mulher que só enganou ele...snif...espero que o próximo capítulo eu dê pulinhos de alegria e não caia no choro como esse!!!

aninha disse...

nossa... essa música e essa cena dos dois... meu Deus... sem palavras por hoje LI... vc foi lá no fundo do emocional hj...snif...

sarah disse...

Nossa q lindo!!!!!!
to emocionada aki!
mt lindo mms!!!

mari disse...

Sem palavras pra fazer comentário....
Apenas...
Li. Cada dia isso tá melhor.

Bjkitas