28/09/2007

Cap 28: Guerra declarada (Jeni)

Eu estava tão triste. É doloroso quando nossos heróis morrem. Até ontem eu tinha o Ruan como o cara perfeito e agora, só o que me restava lembrar era sua “versão Daniel”. Por sua vez, aquele amigo para quem eu contava tudo morrera, na verdade nunca existira.

Ouvi o barulho da impressora engasgada com papel. Levantei da cama e tentei arrancar o papel preso entre os rolos que moviam as folhas. Será que Ruan nunca aprendera que não se deve imprimir mais que 10 páginas por vez para não danificar a máquina?

_Jeni... _ ele entrou no quarto e veio rápido em minha direção.

_Vê aí onde seu trabalho parou de imprimir que entalou na impr...

_Depois eu vejo isso... _ ele cortou-me. _ Vou te apresentar a uma pessoa, por isso, toma um banho, coloca uma boa roupa e... te espero lá na sala! _ deu dois passos de costas e depois saiu com a mesma pressa que entrou.

Eu nem tive tempo de lhe dizer que não estava disposta a conhecer ninguém, só queria continuar deitada na minha cama. Ele que se virasse com qualquer desculpa, sei lá, que eu estava com uma doença infecto-contagiosa. Mas, pensando bem...

Sentei-me. Cerrei os olhos, arquitetei. Se ele estava tão preocupado assim com a minha aparência, é porque considerava importante. Logo, se eu aparecesse bem bagunçada, ele ficaria irritado. Quem estaria lá? Algum dos seus amiguinhos poderosos?

Pus as mãos na cintura e parei na frente do espelho. Espalhei bem o cabelo para parecer que eu não o penteava por anos. Abaixei a alça da blusa, tirei os brincos e o cordão.

_Nossa, Jeni, parece que você acordou agora! _ dei um risinho.

Caminhei em direção a sala. A nossa guerra estava prestes a começar.

_Oi! _ disse e Ruan, que estava em pé, abriu a boca em desespero.

A mulher sentada no sofá virou a cabeça para trás e me olhou dos pés a cabeça.

_Então, você é a tão falada Jeni? _ ela levantou-se e veio em minha direção.

Ela me pareceu ter cinqüenta anos, mas era uma senhora bem cuidada. Tinha o rosto maquiado com blush, batom vermelho e sobrancelhas pintadas com lápis de olho. Vestia uma calça lilás colada ao corpo, o que lhe acentuava os largos quadris. Os brincos, o colar e as pulseiras da mesma cor da calça, tão espalhafatosos, quanto sua sandália alta brilhante.

_E você é...? _apertei sua mão.

_Sua sogra. Ivone.

Eu olhei para Ruan, imediatamente. Como ele não me avisara que ela viria nos visitar?

_Acho que peguei vocês dois de surpresa. Isso porque o besta do meu filho não atende a pobre mãe! _ ela reclamou e Ruan atrás dela revirou os olhos e levou a mão ao rosto.

_A senhora vai ficar aqui com a gente? Oh, que ótimo!

_O Ruan disse que vocês têm um quarto a mais, espero não atrapalhar.

_Não! Que isso, imagina...

_Eu estou com sede.

_Eu vou buscar água para a senhora. _ disse-lhe e já no corredor pude ouvir um “Que gracinha sua namorada”.

Ruan entrou na cozinha enquanto eu despejava água no copo.

_Ela também me pegou de surpresa. _ ele tomou o copo para si e engoliu tudo de uma vez.

_Eu tenho uma so-gra? Então, deixa eu ver se eu entendi. Você falou para ela que estamos juntos e felizes? A gente vai fazer teatrinho para ela também?

_Olha, Jeni, nós estamos brigados, ok? Mas se você guarda qualquer restinho de consideração e agradecimento...

_Isso é golpe baixo!

_Por que você não se arrumou?

_Ruan?! Se enxerga!

_Jeni... _ ele me pegou pelos dois braços. _ Não sabe o que estou fazendo com o meu próprio orgulho para ter que te implorar, por favor, por favor, Jeni, eu não quero que minha mãe pense...

_Que eu te faço infeliz?

_Só por uns dias!

_E como vai ser a história do quarto? _ cruzei os braços.

_Bom, não posso colocá-la no sofá.

_Eu é que não posso dormir na cama com você.

_Ah! Claro, então, eu durmo com a minha mãe e você no seu quarto?

_Lógico!

_Mas aí vai parecer que não dormimos juntos.

Foi minha vez de beber água. Parei com o copo na altura dos seios e olhei para Ruan.

Fingir que estávamos bem? É, eu precisava beber uma coisa mais forte que aquela água.

Enchi mais um copo para minha magnânima sogra.

_ Você vai pagar caro! _ encostei com o dedo em seu peito, fitando-o nos olhos e voltei para a sala.

Fui até o quarto e troquei os cartuchos da impressora por um vazio que eu tinha guardado e joguei-me na cama para ver meu seriado na televisão do quarto.

_Isso não estava cheio? Eu juro que vi o cartucho pela metade... _ ele resmungou e olhou para o relógio.

_Jeni, você mexeu aqui?

_Não! _ troquei de canal com o controle-remoto apontado para a tela.

_Você acha que isso é trabalhinho de 2º grau?! Me dá a tinta!

_Já disse que...

_Ok, você quer guerra? Vai ter guerra!

Ele saiu do quarto e eu o acompanhei com os olhos. Menos de meio minuto depois apareceu com um alicate.

_Acho que você vai perder seus programinhas.

_Não! _ pulei da cama, antes que ele arrancasse o fio da televisão. _Não! Por favor, Ruan!

Ele tirou o fio. Eu não podia acreditar naquilo. Agora que eu não dava a tinta mesmo.

_Jeni, eu não estou de brincadeira! _ puxou-me pelo braço e meu cabelo voou no ar, batendo no meu rosto.

_Não dou.

_Ok. Você vai se arrepender... _ ele me soltou e eu caí sentada na cama.

Ruan pegou as folhas já impressas e algumas em branco. Tirou o Cd do drive.

_Alguns dias em off do seu msn vai te fazer lembrar quem é que é mais forte! _ disse-me e tirou o fio do telefone do computador.

_Não, Ruan, eu te dou o cartucho. Sem Internet, não! _ corri para impedi-lo.

_Vamos ver quem é mais forte! _ falou bem perto do meu rosto. _ Eu vou imprimir na casa do Fonseca. Faça agora uma janta para minha mãe. E não se meta a engraçadinha!

_Vou servir sopa de minhoca com pedaços de barata! _ disse alto e ele tampou minha boca com sua mão e me encostou na parede.

_Não sou tão bonzinho assim, garota!

_Ruan... _ ouvimos a voz da sua mãe no corredor.

Ele destampou minha boca e, inesperadamente, me surpreendeu com um beijo.

_Ouh! Desculpe interromper. _ ela parou na porta.

Ruan afastou-se e me olhou com toda a tensão no olhar. Ainda podia sentir os seus lábios quentes nos meus.

_Acabou a novela mãe? _ perguntou.

_Não, na verdade vai começar mais tarde. Último capítulo, sabe como é: fazem aquele suspense para revelarem o verdadeiro assassino. Eu posso tomar um banho?

_Claro, a Jeni vai lhe dar toalhas. _ Ruan delegou-me a tarefa e saiu.

_Para onde ele vai? _ ela me perguntou.

_Para o quartel, seu filho tem duas paixões. O quartel e...

_Você? _ ela completou antes de mim.

_É. _ menti, na verdade ia dizer “ele mesmo”.

À noite, fui expulsa da minha cama para ceder lugar à minha sogrinha. Aquilo só poderia ser uma condenação por tudo que aconteceu naquela tarde. O universo estava conspirando contra mim!

_Eu vou dormir na cama com você?

_É. _ ele respondeu, sem tirar os olhos do livro que tinha aberto no colo. _ É bem grande para os dois. Não se preocupe, não vou ter vontade de tocá-la.

_Eu não quero deitar na cama contigo. Isso eu posso exigir. _ abracei-me ao travesseiro que eu trazia contra o peito.

_Tudo bem, posso pegar aquele colchonete do acampamento e vo-cê dormir no chão.

_Eu? E de quem é a mãe?

_Você tem escolha. Pode dormir aqui ou no chão. _ ele repetiu.

_Se não quer cooperar, tudo bem. Tem certeza disso? _ larguei o travesseiro na cama.

Ruan continuou me olhando, sem saber do que eu era capaz.

_Sua mãe é conservadora? Não, deixa eu lembrar, você disse que ela era bem moderninha...

Pus as mãos na cintura, olhei para o teto. Preparei-me. Ruan voltou a olhar o livro.

_Ai, Ruan! Vaiii. Isso aíiiii, ãnhhhh, amoooor!!! _ comecei a imitar o maior orgasmo do mundo.

_O que você está fazendo, sua louca?!

_Aiiiiiiii, meu deus, aeeeee...

_Pára com isso! _ pulou da cama.

_ Amor, não pára, não pára, meu deus, aeeehhhhh, hummm...

_Ok! Eu durmo no chão! _ ele abriu a porta do quarto para pegar o colchonete.

Eu me deitei no meio da cama de bruços, sorri e fechei os olhinhos.

Mas Ruan iria dificultar da mesma forma o meu sono, já que o dele, na ausência dos remédios, demorava a chegar. Ele, então, pegou o violão e começou a cantar bem alto. Abri meus olhos e o vi sentado, em posição de lótus. A batalha daquele dia ele vencera porque aquela música era o golpe mais baixo que poderia usar:

(clique aqui para ouvir)

Não fala nada, deixa tudo assim por mim / Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real nas minhas mentiras, / E assim não faz mal
E assim não, me faz mal não / Noite e dia se completam, nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor /
Eu te recriei só pro meu prazer, só pro meu prazer
Não vem agora com essas insinuações / Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você, não é nada que eu penso / Também se não for, não faz mal
Não me faz mal, não / Noite e dia se completam, nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu quiser / Eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor


Autora: Li
(lianotacoes.blogspot.com)

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14 comentários:

Lucy disse...

hahahahahahahahahaahahahahaha
Muuuuuito show!!!!!!! Agora vão ter que se entender à força! Tipo quando minha mãe me colocava de joelhos abraçada ao meu irmão até que fizéssemos as pazes!!! hahahahahahahaha

Amei a cena da cozinha e a do beijo!!! \o/

Liiiiii, maravilhosa criatividade a suaaaaaa!!! \o/

Agora, será q a sogra ouviu isso tudo? E a Jeni se acha, né? Bem feito ela ter aparecido toda bagunçada na frente da sogra... adolecsente quando quer se vingar, se lasca todo!!! uahahahaha

KÁKÁ disse...

po caraca li..tu soh complica as coisas..kkkkk
po e agora.rs..
tah foi maneiro td..acho q vai ficar nessa entre tapas e beijos por um bom tempo..mais po ele jah eh bem grandinho podia conversar com ela e fazenrem as pazes logo..rs..
sei lah to nervosa com esses dois..quero ver eles felizes logo..rs...
bjssssssssss

Deisinha Rocha disse...

Ieh...
é por isso que eu amo vc, Li...

to indo ler este capítuloooooH!!!!

Lucy disse...

Gente! Sempre olhem os capítulos anteriores ou o capítulo do dia mais de uma vez, tá? Porque tem vezes que a gente só edita depois, daih acrescenta detalhes interessantes... como hoje, ok? Bjus!!!

Lucy disse...

P.S. depois da edição: eu vou chorar com essa última cena, tá, Li? *lágrimas*

Ele, apesar de tudo, é muito humilde e romântico... tão maduro pra essa garotinha peralta e cheia de si... mas ela vai aprender com ele... *suspiro* ai q lindo... saudade do meu amor... *lágrimas* mta saudade...

Li disse...

Obrigada Lucy, por revisar os textos comigo e pela escolha mais que perfeita da trilha sonora de hoje!!!!

Ela é tudo!!!
Imaginem o Ruan cantando:
"Não fala nada, deixa tudo assim por mim / Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real nas minhas mentiras, / E assim não faz mal
E assim não, me faz mal não / Noite e dia se completam, nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor / Eu te recriei só pro meu prazer, só pro meu prazer
Não vem agora com essas insinuações / Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você, não é nada que eu penso / Também se não for, não faz mal
Não me faz mal, não / Noite e dia se completam, nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu quiser / Eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor"

(Cazuza, vc é eterno!!!!!!!!!!!)

Deisinha Rocha disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...........


Li, eu num sei qm viaja mais, vc ou ... vc...
Caraca... ki oerfeitoooooooooo...

não podia ficar melhorrrrrrrrrrr...
não, não podia nãooooooo....

aih ki maravilhoso....
agora eles vão ter ki se aguentar...

e Li...
delirei qndo vi q era a mãe...
meu deusoooooh....

eu tinha pensado nela...
era tudo di boum ela relamente aparecer...
tuuuuudo...

toda história romantica tem ki ter a mãe no meio...

rsrs

bjo Liiiiiii...

ah, Lucy, já q vc participa tanto...
bjo no c tbmmmm...

mari disse...

HAUHAUHAUHAUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUAHUAHAHUAHUAHAUHA...
Aiiii minha barriga. aiiii (totalmente sem ar).
Acho q não vou mais parar de rir.

Essa sogra é a melho do mundo (pelo menos pra gente vai ser). Ela chegou na hora certa.
Era tudo oq esses dois malucos precisavam...alguém q os obrigasse a dormir juntinhos e ficar bem pertinhos até q enfim se entendam.
Muito bom Li.

É muita criatividade.
Mais uma vez PARABÉNS...
Aplausos pra Li gurias.

Tá mas....ainda estou curiosa pra saber se a estória do Dan é a do Ruan....Ou será q isso foi uma viagem geral de todas nós????? :S
Aiii aiiii aiiii...
A ansiedade ainda está rolando solta.

Queremos mais...
(alguém lembra da propaganda do TANG??? com o Jaime???)
Tá nostalgia total agora...Acho q foi o efeito do riso excessivo.
Fuuuuiiii

Bjkitas

Li disse...

q tem a propaganda do tang?

meu deus num lembro!

socorro!

beijos meninas!

titta_* disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk....tá demais esses 2 viu,Li!!
ai ai ...ri tanto!
A Jeni e o Ruan merecem uma telona...tão ficando vivos demais com as pras palavras q vc os descreve. E mto mto cômicos!

tou amando! =**

Quel disse...

MUITO BOM!!!
Adorei o fato de ser a mãe dele na porta e isso obrigar os dois a teerm que fingir estar tudo bem!!!As brigas são infantis mas isso acontece com muitos casais...e a gente se diverte lendo!hehehe
E a musica final do Ruan, de fazer chorar mesmo, golpe super baixo pra acabar com o sono da Jeni!!!
Li, ta muito perfeito, cada vez melhor!!!
Curiosa demais pra ver o resto!!!
Beijosss

Nathália disse...

A mãe... eu não esperava ela, mas pelo jeito vamos dar boas risadas!! A vingança deles tá ficando comica, huahuahaua e é por aí q eles vão se reaproximar né?!?!

A música tá show, quem consiguiria dormir???

Bjão pra todas vcs

mell disse...

uhsuauahusuuuasuaasuahsaus
naum consegui parar de rir aqui ainda!
asasshauhsuasuahsuasuahsua
tah demais o livro lii =)~
nunca imanava q poderia ser a mae do ruan!
mto mto mto mto engraçado e perfeito (L)

mell disse...

haa... e o q eh a musica? lindaaaaaa, magnifica, tudo de bom =)~