05/09/2007

Cap 2: Meninas boazinhas também matam aula (Jeni)

_Fred, sai! _ empurrei o focinho do meu cachorro para o lado, antes que ele lavasse o meu rosto com lambidas. _ Eu quero dormir mais um pouco... _ resmunguei.

Ele latiu e eu fechei os olhos para que percebesse que eu não estava lhe dando atenção. Quem sabe desistisse e me deixasse prolongar meu sono.

_ Fred, pára! _ gritei com ele, já irritada por ter perdido meu sono.

Fred abaixou a cabeça e se encolheu no tapete, ao pé da minha cama. Ele sempre me ganhava com aquela carinha de coitadinho.

_Eu não vou para a escola hoje! E se você me denunciar, eu não vou te dar água por uma semana! Nem comida, nem nada!

Ele subiu na minha cama e deitou ao meu lado.

_Tudo bem, se quiser ficar aí, fica, então. Mas não pode fazer barulho, eu quero dormir, entendeu?

Fred me obedeceu. Ele era bonzinho. É por isso que prefiro os cachorros, eles correm para seus donos quando estes chegam, ficam ao pé fazendo companhia. São bem bobões. Já os gatos, ao contrário, são mais traiçoeiros, não ficam babando por ninguém, têm sua beleza própria e sabem disso. Há pessoas gatos e cachorros também. Eu acho que desde pequena nasci um “cachorro”, com este jeitinho de quem não vive só.

Talvez, por isso, Fred e eu nos entendêssemos tão bem. Eu o ganhei de meu padrasto há dois anos e, desde então, somos amigos. Nem gosto de pensar que os cachorros ficam velhos e morrem porque não conseguiria perdê-lo.

Já perdi tantas coisas em minha vida. Minha mãe foi embora quando eu tinha dez anos. Só deixou um breve bilhete e duas moedas de um real em cima, acho que para impedir que o papel voasse, mas até hoje, sinto-me como se ela achasse que podia partir e tudo em minha vida se resolveria com aquelas duas moedas de contorno dourado e fundo prata.

Meu padrasto foi quem mais sofreu, gostava dela. Sorte a minha que continuei a ter o que comer e não fiquei debaixo da ponte. A casa era dele, o que comprávamos era dele, mas minha mãe foi em busca de não sei mais o quê. Seu bilhete explicava que “não dava mais”.

Eu sinto falta de ter uma mãe, não dela especificamente. Porque a sociedade nos pede uma figura materna. A todo momento, entre os coleguinhos, você é perguntado sobre o que sua mãe fez para o jantar, se ela veio à reunião dos pais, ou à festinha...

Hoje, já tenho 17 anos, mas sinto que tenho bem menos. Vivi muito pouco ou quase nada porque a falta de referênciais sempre deixou-me um pouco perdida, andando em uma estrada sem placas. Essa insegurança fez-me quase muda, preferindo sempre os cantos das paredes, o fundo da sala, a multidão para anular-me. Assim, há menos exigências por decisões e posso ficar na minha.

Não tornei-me uma menina ruim por isso. Se tivesse um pai, acho que ele não teria do que reclamar. Mas hoje, não dava para fazer sacrifícios, a cólica era grande e eu não me sentia bem, mataria aula. Queria só dormir mais e relaxar.

A campainha tocou.

_Ah não! _ resmunguei com a voz abafada pelo travesseiro, onde eu enfiara a cara.

Levantei-me e abri a pequena janela da porta da sala, vendo através dela um homem fardado de bege e outro atrás, de farda camuflada.

_Oi, você é a...

_Jeniffer. _ respondi.

_Se for para falar com o meu padrasto, ele não está. Ele é do quartel também...

_Eu sei. Eu sou o capitão dele. _ respondeu o homem. Ele era alto, pele bronzeada e tinha um rosto quadrado. Seu nome de guerra indicado na placa era “Ruan”. _ Posso falar com você?

_Pode, já está falando. _ respondi.

Meu cachorro começou a latir pela entrada lateral da casa, estranhando a visita tanto quanto eu.

_Você poderia abrir a porta?

_Olha, o meu padrasto não autoriza que eu abra a porta para ninguém quando ele não está.

_... _ ele olhou para o homem ao seu lado e depois para mim. Repensou melhor, mas não disse nada.

_Pode falar. _ pedi. _ Eu estou ouvindo.


Autora: Li

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7 comentários:

Lucy disse...

Ai, como ela é fofa! obediente toda! Ela me lembra uma pessoa muito muito querida... =)

Eita que o Ruan chegou na estória!!! E agora, hein!?!?!?

Eliiiii, saudade de vc... bju, grande, miga!!!

Li disse...

bju maior miga, saudade infinita de vc!
:)

aninha disse...

que linda!!!! essa menina terá muita história para contar!!!! como ela vai receber a noticia da morte do padrasto ~?????

Tita disse...

Oooiiee! To aqui tb agora!
Que estória mais fofa! To acompanhando aqui...
Beijoos

Li disse...

minhas lindas do meu coração!!!
Bem vinda, vou jogar uma almofada para cada uma, agarra aí! beijão!
li

mell disse...

apareciiiiii \o/ \o/
li os dois capitulos juntos e jah gosteii! heheheh
gosto dessas historias 'dramaticas' heeheh

(jah estou com uma saudade enorme do caio e da bela! suahushaus)

Li disse...

:) oie, mellzinha, meu docinho, bem vinda linda!!!
beijão!!!