11/08/2007

Cap 1: Juramento de sangue (Ruan)

Jeni era a flor que nunca tive em casa, porque flores precisam ser amadas. Elas murcham sem explicação e necessitam de água em uma precisão saudável. Eu era tudo, menos preparado para ter uma flor. Ela, no entanto, me apareceu como uma encomenda dada por um entregador que não quer muito assunto, estende a mão e oferece o embrulho.

Ela tinha um jeito desde menina de me atear fogo aos olhos, quando eu os punha sobre as ondas de seu corpo protuberante, fruta carnuda que balança faceira no pé, prontinha para cair, mas de maldade não cai. E quem terá coragem de enfrentar a altura da árvore para roubá-la. Eu não podia, Jeni era um anjo e eu não queria ser remetido ao abismo por tê-la feito qualquer mal, por isso a coloquei em uma redoma de vidro, afastada das obsessões de meu coração. Talvez esse tenha sido meu erro, a fiz deusa e a amei com volúpia humana.

De um homem de trinta e poucos se espera menos que um casamento, um filho, uma casa, um carro. Mas quando conheci Jeni, quis virar-me de costas para o futuro, andar para frente do meu passado e só parar naquele ponto em que não seria pecado amá-la. Quem sabe roubar-lhe um beijo de seus lábios de pitanga e não ter medo de tal idéia. Quem sabe tocar em sua mão e levá-la pela minha. Quem sabe mais nada, devo guardar essas cenas repetidas em alguma parte bem escura dentro de mim.

Ela era Jeni, com toda ênfase no “ni”, quando eu gritava para que largasse o computador e viesse comer. Ou Jeni, com maior prolongação no “Je”, quando eu sentia que estava fazendo coisa errada. A pronúncia certa se encontrava fora do português (“Djeni”), como era fora do normal essas esquisitices de minha cabeça de estudá-la com primor de um matemático e não ter o que fazer com as fórmulas. Eu queria a matéria, fora dos planos, palpável, geometria espacial.

Eu dizia-lhe qualquer observação sobre a cor de leite de sua pele e ela não pensava duas vezes em me despertar a surpresa, quando aparecia tostada de sol. Só para me irritar, talvez. Eu apenas acompanhava suas transformações no rabo de olho, no canto, na brecha, na fresta imperceptível que abrem os bons observadores.

Eu pedia-lhe para abaixar o som, pois precisava ler e ela me explicava que sua música eletrônica não poderia ser ouvida na altura que eu queria, pois precisava vibrar em seu corpo. Eu corria dela, não querendo mais qualquer detalhe sobre aquilo, pois era no meu corpo que começavam os efeitos da imaginação de suas pernas e braços oscilando no espaço. Que ouvisse, então, como preferisse, eu podia me espichar na rede da varanda e ler ao ar livre, era muito mais seguro nós assim, àquela distância.

Mas para entenderem o meu grau de loucura por essa menina, que esperei crescer mulher pacientemente, como único público do desabrochar de cada sépala, preciso voltar no dia em que me deram-na por confiança.

_ Capitão, Capitão! _ ouvi à minha porta a voz desesperada do soldado. Assutei-me, naqueles últimos dias de calmaria, ouvir um sinal de pânico era preocupante.

_Que houve? _ perguntei.

_O sargento Souza! Ele levou um tiro.

_O quê? _ não acreditei no que estava ouvindo.

Corremos até o pátio e encontrei o sargento ensangüentado no chão. No caminho, o soldado me explicara que fora um acidente que fizera a arma de um dos homens disparar. Algum inexperiente provocara aquela falha e isso me trouxe uma raiva que precisei conter, pois o mais importante agora era salvar aquela vida.

_Capitão, eu tenho uma filha. _ disse o sargento, se agarrando a minha mão e me sujando de sangue.

_Eu sei... Calma que...

_Capitão, eu tenho uma filha.

_Chamem um médico, rápido! _ ordenei.

_Capitão, a minha filha... _ ele repetiu aquilo pela terceira vez e eu olhei nos seus olhos e vi que não daria tempo do médico chegar. _ Ela é a coisa mais importante do mundo. Cuida dela.

_..._ eu não tinha o que falar, só ouvir.

_Eu preciso morrer e saber que você vai cuidar dela, você vai cuidar dela...

_Vou, vou cuidar dela... _ disse o que ele queria ouvir.

_Tem que ser um juramento, você...

_Eu juro. _ prometi.

E ele se foi. Só deixando em minhas mãos o seu sangue e em meus lábios o juramento que mudaria a minha vida. Eu jurei cuidar de sua filha.


Autora: Li

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10 comentários:

Li disse...

Sejam todas muito bem vindas!
Podem sentar-se no chão, em cima do tapete, cada uma pegue a sua almofada aí. Fiquem a vontade.

(abrindo o livro...)

Agora façam todas silêncio, porque eu vou contar uma estória...

Era uma vez, Ruan e Jeni...

;)

Lucy disse...

Eli, que poético... maravilhoso!
Já estou curiosa para ver o que vai acontecer!!!

Ei... é o Ruan... comandante que conversou com o Caio... que tentou salvar o sargento... ei!!! O sargento que morreu é o pai da Jeni, é o caso que o Caio acompanhou e tal... no capítulo 91 ele falou sobre isso!!!

Aiiii que legal!!! \o/
Agora vamos ver a vida do cara que deu o conselho que mudou a vida do Caio!!! Que perfeito!!! \o/

Meninas, tomara que vocês não demorem a vir aqui!!!

Bjo grande pra todas!!!
Eli, um forte e carinhoso abraço!!! \o/

aninha disse...

uauauauuuuuuuuu!!!!!!!! segundinha a comentar aqui!!!!!! parabéns!!!!!! começou super bem!!!!!! vou amar essa história!!!! um romance com diferenças de idades!!!! simplesmente perfeito!!!!!!!

Li disse...

:)
Oie, Lu e Aninha!
Que bom ter vocês aqui!Beijos!

Lu disse...

Liiiiiiiiiiii
oia eu aki marcando presença again!
uahuahauahuahauha
humm ja comecou com gostinho de grandes descobertas e emoções ^^

bjuxxx Li

Li disse...

:)
Lu, querida! Bem vinda!
Beijos!
Li

paula disse...

Olha que lindo!!!
O ruan é o cara que deu o conselho da vida do caio e da bela...
pior que o mundo é assim mesmo....cada rosto de uma historia pra contar...so precisamos sentar pra ouvir...eu quero a minha almofada!

kamylla disse...

Nussa to curiosa pra ver no que vai dar...
Começou bem Li,mais uma vez parabens!

bjkssss

=****

titta_* disse...

Nossa! mas esse livro tá assim tão...profundo!

mal posso esperar pelo que já me aguarda!

Beijo,Li! =*

Anônimo disse...

mto boa